segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Capítulo 16 - Noite com as Estrelas

Livro 1 – Rita
Eu não conseguia desviar o meu olhar dos seus olhos doces, eu tentava, ao máximo concentrar-me no trabalho que devia estar a fazer, mas era completamente impossível. Os meus olhos simplesmente não me deixavam.
A Patrícia já começava a mostrar sinais de cansaço e também de impaciência, era completamente compreensível, eu não a estava a ajudar em nada. Não prestava atenção a nada do que ela me dizia, o meu cérebro não conseguia desencriptar aquela mensagem complexa que ela estava a dizer, apenas tinha uma coisa em mente, “ele”.
Ela tentava comunicar comigo a todo o custo, ela ainda disse: Rita, dá-me aqui uma ajuda, é que eu não percebo nada de pulmões, traqueias e corações, a sério concentra-te um bocado… - disse ela tentando chamar-me à realidade, mas sem êxito, desistiu assim que viu que não ia conseguir acordar-me do meu transe profundo.
Olhar para ele só me dava vontade de tocar os seus lábios meigos e sentir o calor que ele emanava do seu corpo o mais perto de mim, a distância matava-me, eu não conseguia aguentar nem mais um pouco.
O Benji estava na mesma situação que a minha irmã, o Toby também não prestava atenção nenhuma ao que estava a fazer, pelo que sei em vez de escrever algo relacionado com o sistema cardiorrespiratório escreveu o meu nome na folha de papel que tinha em mãos.
Reparei que as faces do Benji estavam bastante carregadas, notava-se a raiva a aflorar-lhe o rosto. O Toby nem se dava ao trabalho de virar a cara para ver o que se passava, o Benji levantou ameaçadoramente o seu braço, num movimento rápido ele baixou-o e o seu punho acertou em cheio na cabeça do Toby, eu estremeci ao mesmo tempo que o ele sentindo a dor que aquela pancada lhe infligira.
Agora a raiva aflorava-me todo o meu corpo, inundando completamente as minhas cordas vocais, eu estava a tentar controlar-me para não começar a gritar com o Benji, mas fui incapaz.
- Não sejas bruto! Tem mais cuidado! Magoaste-o! – Gritava eu, preocupada com o Toby e extremamente chateada com o Benji, os ânimos tinham ficado bastante exaltados, o sangue aflorava-me de uma maneira brutal as veias fazendo com que a adrenalina se espalhasse por todo o meu corpo.
- O Toby é que não se mexe! E a culpada és tu! – Disse ele acusando-me.
Eu fiquei ainda mais exaltada do que estava, ele estava a culpar-me, pelo trabalho não estar a correr como ele queria! Bem se calhar até tinha uma quota-parte da culpa, a bem dizer era mesmo toda… eu não conseguia concentrar-me e o Toby também não, porque eu também não o deixava.
Cada vez mais eu sentia a raiva a enfurecer-me a voz e os movimentos das minhas mãos ao mesmo tempo que discutia com o Benji.
O Toby interveio, ainda atordoado por causa da forte pancada que tinha levado: Pronto já chega! Eu estou bem, vamos continuar o trabalho, mas agora a sério… - disse ele num tom apaziguador, só a sua voz doce e meiga me acalmava, os seus olhos dirigiram-se aos meus com toda a doçura e ternura.
Ele sentou-se de novo, mas desta vez os seus olhos não estavam colados aos meus, agora ele estava concentrado no seu trabalho.
Eu decidi fazer o mesmo, resolvi ajudar (“agora a sério”) a minha irmã que estava agarrada ao livro há horas, tentando decifrar os códigos estranhos que estavam inscritos naquelas páginas brancas.
Eu lutava contra mim própria para não continuar com o olhar pousado nele, tentava ocupar o meu cérebro com todo o tipo de coisas. Quando demos por nós o trabalho já estava concluído e o PowerPoint também já quase terminado, só faltava juntar as duas partes do trabalho, agora estávamos a trabalhar em equipa, as palavras iam surgindo para argumentar o nosso trabalho e a cada segundo ele ficava mais completo.
Eu mantinha no meu pensamento que se acabasse rapidamente o trabalho poderia estar perto dele de novo, e assim fiz, concentrei-me apenas nisso.
O PowerPoint já estava pronto “para entrar em campo”, para a mortífera avaliação da professora de Biologia e para a nossa apresentação.

Livro 2 – Patrícia
Eu não ia poder continuar a evitá-lo por muito mais tempo, tinha chegado a parte de juntar o PowerPoint e torná-lo num único, isso equivalia a um elevado grau de proximidade dele, mas o receio ainda continuava a circular-me nas veias, porque é que aquela imagem não me saia da cabeça e não me deixava ficar em paz?!
Porque é que eu não conseguia agir como a Rita, um sorriso cobria o seu rosto e os seus olhos, a alegria aflorava todo o seu corpo, ela estava feliz por poder estar de novo junto do Toby, podia beijá-lo e abraçá-lo outra vez, porque é que isso não acontecia comigo? Porque é que eu não esquecia de vez aquele momento!? - Interrogava-me eu a mim própria.
Sentámo-nos todos no enorme sofá, o computador portátil passava pelas mãos de todos os que estavam ali, mesmo sentada ao pé dele, eu tentava manter a certa distância, mas era difícil, ele era completamente irresistível, eu queria sentir de novo os seus lábios tocarem os meus, daquela maneira como só ele sabia, sentir os seus braços fortes e quentes a segurar-me com firmeza, o seu corpo quente mais perto do meu…
Patrícia concentra-te! – Dizia eu a mim mesma, desta vez consegui obedecer à minha consciência.
Este trabalho de unificar o PowerPoint foi bastante árduo e demorado, os ponteiros do relógio já marcavam 10:30h, a noite tinha dominado toda a claridade do dia, e engolia a casa numa brutal escuridão; as luzes permaneceram acesas durante bastante tempo.
Os sinais de cansaço faziam-se notar em todos nós, a Rita não aguentou muito mais, rapidamente fechou os olhos encostando delicadamente a sua cabeça ao peito do Toby, ela tinha adormecido num sono calmo e profundo.
Agora só nós os três continuávamos a gastar as nossas forças naquele trabalho, o Benji estava a dar uma última olhadela aos erros, o Toby organizava tudo em movimentos delicados e suaves para não acordar a Rita do seu doce sono.
Eu ainda não tinha conseguido dirigir alguma palavra ao Benji, quando ele me perguntava alguma coisa, sobre a cor, o fundo ou os efeitos da apresentação eu apenas movia a minha cabeça em sinal de resposta. Ele também se demonstrava um pouco hesitante no que tocava a pedir opiniões, eu respondia em silêncio, sem produzir um único som audível, pondo os olhos na televisão tentando abstrair-me do que se passava à minha volta, principalmente da sua presença que me provocava uma aceleração brutal dos meus batimentos cardíacos.
Como não obtinha resposta da minha parte, perguntava ao Toby, que continuava a trabalhar arduamente para concluir o mais depressa possível o trabalho.
Quando eles finalizaram o trabalho, o Benji agradeceu ao Toby e ainda pediu desculpa pela violenta pancada que lhe tinha infligido, o Toby sorriu com um dos seus mais belos sorrisos, um dos mais doces de todos os tempos, ele perdoou o Benji pois ele sabia perfeitamente que também possuía uma parte da culpa, pois a concentração abandonava-o sempre que os seus olhos se deparavam com a minha irmã, parecia estar hipnotizado.
A Rita estava a dormir profundamente, a sua respiração era calma e o sorriso mantinha-se impresso no seu rosto, ela dormia calmamente encostada docemente ao peito do Toby.
Infelizmente, eu não me encontrava na mesma situação.
Eu mantinha os meus ouvidos concentrados no diálogo que aqueles dois rapazes formavam com várias afirmações e palavras que eram proferidas em tom de sussurro, só prestei mais atenção ao que diziam quando o Benji disse: Toby… já é muito tarde, não achas que era melhor ficarem cá. Tu ainda moras longe e a Rita já dorme que nem um anjo, além disso já olhaste para as horas? – Perguntava ele, tentando convencer o Toby de que ele estava certo.
Toby: pensando bem, acho que tens razão… ela estava mesmo estafada – disse ele num tom doce e com o seu olhar focado na minha irmã.
Era tão meigo o cuidado que ele tinha com a minha irmã, ele era mesmo um doce.
O Benji viu a indecisão estampada no rosto do Toby, mas apenas com uma frase fez com que o ele esclarecesse as suas dúvidas: o quarto de hóspedes é a primeira porta à esquerda…- disse o Benji com um meigo sorriso reflectido no seu rosto.
Toby: Obrigado Benji… - disse, pegando delicadamente a minha irmã nos seus braços, ela continuava no seu sono profundo sentindo o calor aconchegante que o corpo do Toby emanava, o sorriso ainda não tinha abandonado o seu rosto…
Eu estava tão concentrada no diálogo dos dois rapazes, que não reparei que o Toby já havia subido as escadas e desaparecido no plano superior da casa…
O medo consumia-me agora, o que é que eu iria fazer? Estávamos sozinhos, outra vez…
Eu desviei o meu olhar da televisão, com bastante receio do que poderia acontecer, o meu coração começou a bater rápido demais. Quando me deparei com ele vi que ele mantinha o seu chapéu a ocultar-lhe uma parte do rosto, apenas os seus lábios (que eu ansiava tocar desesperadamente, sem medos…) estavam visíveis, ele transmitia-me calma, estava tão sereno, como é que ele conseguia ficar assim?
Ele moveu os seus lábios proferindo: O que se passa? Parece que estás a fugir de mim… - disse ele num tom triste e desanimado. Eu não conseguia resistir à sua voz calma.
- Não… eu, não estou a fugir de ti – disse, conseguindo finalmente proferir algumas palavras.
Ele esboçou um sorriso que desapareceu rapidamente do seu rosto e disse: isso explica o facto de estares constantemente a evitar-me… Estás quase a um metro de mim, eu já te disse que não consigo ficar longe de ti nem um segundo… - disse ele com a voz coberta de mel.
Eu estava a ser muito parva, agora o medo tinha desaparecido, os meus lábios apelavam-me cada vez mais para beijá-lo.
Ele continuou com o seu discurso, enquanto eu tentava controlar-me para não o interromper e tocar os lábios dele: Eu descontrolei-me um pouco, mas quando estou ao pé é tão difícil encontrar a noção das coisas… eu fico perdido e só me consigo encontrar em ti, Patrícia – aquelas tinham sido as últimas palavras que ele havia proferido, não consegui aguentar muito mais, os meus lábios já estavam colados aos dele sem que ele desse conta, os seus lábios eram calmos e meigos, ele estava tão calmo, eu é que continuava uma pilha de nervos, os meus lábios ansiavam por aquele momento em que poderia voltar a tocar os dele sem receio… sem medo a aflorar o meu ser.

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Livro 1 – Rita
Os meus olhos pesavam-me eu tentava a todo o custo mantê-los abertos, mas era quase impossível, o cansaço começou rapidamente a atingir-me o corpo.
Eu sentia-me bem, com o meu rosto encostado ao seu peito quente, ouvindo com toda a atenção os seus batimentos cardíacos calmos e hipnotizantes, sentindo o doce perfume que ele emanava e acima de tudo o seu calor, o seu calor doce e que me aquecia de maneira aconchegante nos seus braços.
Os meus olhos fecharam-se e eu não consegui visualizar mais nada, apenas ouvia um suave e delicado som que provinha das cordas vocais de quem me aconchegava nos seus braços, era tão bom ouvir a sua voz enquanto dormia, eu só podia estar a sonhar, sentia os meus lábios a formarem uma leve meia-lua, um sorriso afigurava-se no meu rosto.
Eu não queria abrir de novo os meus olhos, queria apenas sentir o seu doce calor junto de mim, era apenas isso que eu pedia.
Senti os seus braços fortes a segurarem-me com uma enorme delicadeza e meiguice e de uma forma cuidadosa, em movimentos suaves que não permitiam que eu acordasse do meu sono, mas que continuasse a disfrutar da sua ternura. Ele movimentava-me com toda a facilidade quase sem esforço; não abri os olhos para ver para onde ele me levava, eu sabia que podia confiar nele…

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