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terça-feira, 23 de junho de 2026

Capítulo 28 - fanfiction "A New Life"

- 2 Anos mais tarde -

 Eu tinha feito 19 anos a 28 de Fevereiro, mas agora estávamos em Junho e estava a realizar-se o campeonato nacional de Verão, a nossa equipa tinha chegado à final, mas nunca tivemos jogos grandiosos, com remates fantásticos e potentes ou outras técnicas. 

 Toda a equipa sabia disso… o motivo pelo qual estávamos todas desmotivadas era a partida de todos eles… O meu coração não aguentava mais a dor que a sua ausência causava, não conseguia fazer nada durante todos os noventa minutos de jogo, os meus passes não eram precisos, os meus remates eram fracos e iam parar logo às mãos da guarda-redes da equipa adversária, a minha alegria em jogar futebol e também na minha vida tinha desaparecido. A tristeza corroía-me por dentro a cada dia, a cada hora que a distância entre mim e ele ia aumentando. 

 Eu aproximava-me, perigosamente, de um poço sem fundo, há já vários meses que vivia naquele estado de angústia; os dias já não tinham cor, tudo tinha perdido o significado, era como se nada existisse à minha volta. A não ser o buraco fundo que se estendia à minha frente.

 Enquanto tomava, calmamente, o meu duche depois do treino; sentia a água quente a precipitar-se sobre a minha pele nua a um ritmo tranquilo, de certa forma apaziguava o meu espírito, mas a dor excruciante não desaparecia.

 Fechei o chuveiro, parei um pouco enquanto fitava aquelas paredes de azulejo branco e o chuveiro que tinha acabado de fechar, quando senti no meu rosto outras pequenas gotas, gotas que não tinham brotado do chuveiro, mas sim dos meus olhos, que se tinham tornado num vasto oceano, esvaziando-se a cada segundo. Eu não aguentava mais aquele sofrimento, sentia-me sozinha, a solidão impregnava o meu ser.

 Comecei a sentir-me um pouco zonza, sem saber muito bem onde estava e qual era a razão da minha existência. Carecia dos seus braços para me amparar e dos seus lábios lúcidos para me adoçar o coração e encher-me de felicidade, há muito tempo que essa palavra não fazia parte do meu dicionário… “Felicidade”.

 Vi-me obrigada a apoiar-me na parede para não cair ali mesmo. As minhas pernas sucumbiram à pressão, para me manter de pé, obrigava os meus braços e as minhas mãos também a fixarem-se à tubagem, que escaldante, dilacerava a pele dos meus dedos. Os meus olhos também já não conseguiam permanecer abertos, cada lágrima que vertia,  parecia lancetar-me o rosto, cada uma delas rasgava uma nova ferida no meu coração. O "sangue" que "jorrava" dessas feridas alastrava-se queimando todo o meu corpo, minando-o de dor e sofrimento atrozes.

 As minhas pernas falharam subitamente e os meus joelhos embateram violentamente contra o chão, fui percorrida de novo por uma dor aguda que me fazia gritar a plenos pulmões de agonia, e aumentava a quantidade de água que saía dos meus olhos. Eu tinha caído, sentia-me a ser puxada para um buraco negro, um poço escuro interminável que me engolia naquele momento.

 Tentei refazer-me, ali mesmo, mas era impossível acalmar a dor que me percorria as veias, cada vez mais, a ferida, que eu tinha no meu coração, se tornava mais profunda e doía continuamente.

 Exausta de sentir as lágrimas a "esquartejar" o meu rosto, decidi levantar-me, ainda um pouco desnorteada, num esforço hercúleo, reergui-me, tentava a todo o custo manter-me firme e de pé, mas as forças que me restavam já não eram muitas.

 Pus a toalha em redor do meu corpo, encaminhei-me lentamente para os bancos do balneário. Tirei do cacifo o meu saco onde já tinha guardado o equipamento e as chuteiras e de onde tinha tirado a roupa que iria vestir, eram uns meros calções azul-escuros e uma t-shirt branca bastante larga, pois perdera a vontade de coordenar peças de roupa, nada tinha importância sem ele ao meu lado.

 Sequei toda a água que ainda escorria pelo meu corpo, depois de ter vestido a roupa interior vesti os meus calções e t-shirt. 

 Depois de ter executado tamanha proeza, tentava mexer-me com naturalidade, incessantemente exausta, o meu corpo atingira o limite do que poderia suportar. 

 Sentei-me no banco no limiar do colapso. Não consegui evitá-lo, retomou o sufoco e o soluçado pranto, que se adensava através do mar que vertia dos meus olhos e desaguava sobre a pele do meu rosto, desta vez tentei controlar a minha vontade de gritar.

 Sentia um enorme aperto no meu coração, não conseguia travar as pequenas gotas que brotavam dos meus olhos. Só tinha vontade de me eclipsar.

 Delicadas notas e acordes fizeram-se ouvir, tocava uma melodia conhecida, ecoou por todo aquele espaço vazio, o meu telemóvel estava a tocar, mas aquele toque polifónico, eu só o tinha adicionado a um dos meus contactos… Estaria eu acordada ou a sonhar? O meu coração percipitou-se numa vertigem de batimentos, libertando-se de todas as amarras que o prendiam e da dor que o fustigava. 

 Era ele, a pessoa que eu mais amava no mundo, a pessoa que eu mais desejava ter ao meu lado, a única cura para a minha dor lancinante.

 Eu comecei a procurar o meu telemóvel no interior do meu saco, mas não havia meio de o encontrar, as minhas mãos tateavam, com expressa urgência, enquanto o meu coração batia inquieto, parecia que o meu corpo tinha ganho nova motricidade. Finalmente as minhas mãos intersetaram um objecto sólido, foi quando retirei do saco o pequeno aparelho electrónico, este reluzia, era preto e o ecrã brilhava sob a luz do balneário, era desse pequeno aparelho que vinha a melodia que eu conhecia.

 Desbloqueei rapidamente o meu telemóvel, encostei-o ao meu ouvido, ainda com algum receio dos efeitos que a sua voz teria sobre mim. Do outro lado da linha uma voz cândida e meiga inundou os meus ouvidos, sabia bem voltar a ouvir o seu timbre aveludado, o meu coração deu um baque surdo quando a interpretou.

- Olá, está tudo bem? – Perguntou a voz meiga.

 Eu tinha de lhe mentir, não podia ser tão egoísta ao ponto de o deixar tão preocupado comigo.

- Sim, está tudo bem – disse eu, fingindo naturalidade e tentando mascarar a minha angústia, falhei redondamente, pois a minha voz ergueu-se, fraca e rouca, tinha arrasado por completo as minhas cordas vocais e só agora me dava conta disso.

- Não mintas… - disse ele com o seu tom de voz melancólico.

- Como é que eu já sabia que não ia conseguir esconder nada de ti? – Perguntei eu num tom irónico e com a mesma voz abatida e triste – sinto muito a tua falta, eu só te quero comigo, Taro – deixava o meu coração falar naquele momento, embora discordasse de mim mesma, sabia que o deixaria preocupado, desnecessariamente. Contudo já não me encontrava em posse integral das minhas faculdades, tal tinha sido a descarga emocional.

- Eu também sinto imenso a tua falta, quero-te comigo, sentir de novo o teu abraço, o teu perfume, o teu fôlego interpelado no meu… Não imaginas quão angustiante é, não te ter a meu lado – disse ele, as suas palavras fizeram com que o meu coração mergulhasse em batimentos rápidos e um tanto descoordenados. Constatava, afinal que ele estava na mesma situação que eu; ambos a sofriam com a distância, imposta pela profissionalização.

- Taro… quando… - eu tentava articular a pergunta, mas confesso, tinha muito medo da resposta, pois o mais certo seria arrasar-me completamente. Ainda assim, enchi-me de coragem: Quando voltas?

 O silêncio imperou do outro lado da linha, ele media cada termo que empregava, equacionando a sua resposta milimetricamente, considerando o perigo de uma nova despedida para o meu, já deplorado, estado.

- Já não falta muito, mas ainda devo ficar, por cá, mais alguns meses… - ele fez uma pequena pausa e prosseguiu, aparentava ter alguma dificuldade em proferir as palavras, parecia que estava a lutar contra algo que o impedia de falar com naturalidade: tenho de ser franco, já não aguento mais… - a sua voz falhou no fim da frase, apesar de não conseguir ver os seus olhos, sentia que deles se desembrulhavam lágrimas cristalinas, estas toldavam a sua voz. Agora chorava ele, num pranto abafado, a dor compelia-o ao copioso soluçar.

 Numa espécie de solidariedade e comiseração, dos meus olhos também se esgueirou uma maresia lacrimal, por ele, tentei conter nos meus olhos as lágrimas que continuariam a correr se eu não lhes pusesse um fim. Disse-lhe, ainda, com a voz pouco segura: Taro… por favor, não chores, o meu coração não consegue imaginar-te assim. Eu amo-te e nada vai mudar isso, tens de ser forte, não podes deixar que isto te derrube, tens de realizar o teu sonho de te tornares jogador profissional, permanecerei aqui… ao teu lado… - disse, encorajando-o, era a única coisa que estava ao meu alcance, depois de tudo aquilo que ele fez por mim. 

 Eu tentava fintar minha própria tristeza, mas sucumbi amargamente ao golpe que atingiu com precisão o meu coração, impiedoso.

 Do outro lado da linha a sua respiração parecia ter-se regulado, aparente tranquilidade, ele limpou as cordas vocais e disse com um tom abalado: Tens razão, estou a ser um grande cobarde, eu vou lutar até ao limite das minhas forças para conseguir estar de novo contigo, só tu me dás forças para continuar a lutar… - as notas de coragem a impregnar-lhe a voz, também eu me deixava contagiar por aquele novo fôlego.

 O que ele dissera, aplicava-se também a mim, só de pensar que ele era a minha realidade e que um dia nos haveríamos de encontrar de novo, pejava-me de forças para continuar.

 No fim, dissemos ambos, em uníssono: Amo-te… - depois disso, silêncio, deixei de ouvir a sua voz branda e o silêncio toldou os meus ouvidos, a dor ressurgiu no meu coração como se fosse uma bala certeira, que me rasgava o peito sem dó nem piedade.


Escrita por: Rita Misaki

Revista por: Rita Misaki

Ideia Original de: Ana Silva e Patrícia Brito

 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Capítulo 27 – Um Campeonato Inesperado - Fanfiction "A New Life" ©


Passaram-se meses desde aquele dia fatídico da apresentação, a minha irmã já estava bem pronta para recalcar os miolos do Benji, o seu sarcasmo havia voltado mais poderoso do que nunca.
As férias de Natal foram bestiais, sempre com bastante alegria, energia, sorrisos espelhados nos nossos rostos. Partilhámos a felicidade, a gratidão, o amor, o carinho com todos os nossos amigos e sobretudo com a pessoa que mais amava…
Foram duas semanas inesquecíveis, o entusiasmo que estava presente no olhar de cada um, um novo brilho que impregnava o sorriso de todos e fazia o coração bater ao ritmo desses sentimentos, um ritmo cálido que nos aquecia com uma doce chama.
Acho que foi o melhor presente de Natal que me deram… foi poder passar estes dias com os meus amigos, os meus verdadeiros amigos, e também poder passar este Natal junto ao Toby, perdida no seu cálido abraço, que me mantinha segura e quente e onde nada me atingia.
Haviam de ter visto o Oliver com um gorro de Pai Natal de um vermelho carregado e com um pompom branco muito felpudo, tal como todo o gorro. Ele estava em frente à PlayStation 3, agitando os braços, pulando e fazendo tudo, o possível e o imaginário para que conseguisse ganhar aquele jogo de dança, mas ele era mesmo um pé de chumbo, as suas acções era ligeiramente fora do tempo, os seus passos eram desengonçados, houve uma vez que jurei que ele ia cair, mas ele conseguiu equilibrar-se… foi hilariante, e ele próprio se ria das suas palhaçadas, o Oliver era um grande amigo, sempre cheio de energia e com um sorriso estampado no seu rosto que fazia com que todos se sentissem bem.
O Toby cantou como um anjo, a sua voz doce e calma impregnava os meus ouvidos numa delicada melodia, era ele que iluminava todas as minhas noites escuras, era ele que me apoiava em tudo, era ele que me fazia sorrir como jamais havia sorrido… ele era único e era meu.
Foi o Natal mais feliz de sempre…
Entretanto os meses foram passando, a escola ia bastante bem, as aulas tornaram-se interessantes e apelativas, ganhei gosto em estudar outra vez, aliás agora andava mais agarrada aos livros, como o Toby não tinha muito tempo para estar comigo por causa do horário apertado dos treinos, devido ao campeonato nacional que se aproximava e no qual eu esperava ardentemente que a nossa equipa (equipa masculina) vencesse.
Estávamos no Verão, mas os rapazes continuam a esforçar-se imenso nos treinos, o espírito vencedor deles era mesmo forte, a sua coragem ultrapassava todos os limites e o seu empenho era maravilhoso, tínhamos grandes oportunidades de vencer mais uma vez o campeonato.
Eu tenho ajudado o Toby com a escola, por vezes faço-lhe os trabalhos de casa porque compreendo perfeitamente que ele não possuí muito tempo, mesmo assim ele continua a ser um rapaz responsável sempre atento nas aulas, e as notas que ele tem nos exames são sempre bastante altas e pertencem-lhe, são os frutos do seu trabalho árduo.
Eu aproveitava também para apreciar e tentar ajuda-lo a melhorar a sua técnica futebolística, na semana passada estive com ele durante todo o Sábado no campo de futebol a treinar os remates, acho que ele se estava a esforçar demasiado, ele já possuía uma técnica fantástica e um dom notável para o futebol, mas mesmo assim insistia em melhorar cada vez mais.
A equipa feminina também continuava a ter os seus treinos, mas nunca chegavam à brutal intensidade dos treinos da equipa masculina, eles chegavam a casa estafados e não pensavam em fazer outra coisa se não descansar.
Nós (equipa feminina do Nankatsu FC) não tínhamos nenhum jogo agendado, mas já havíamos tido a oportunidade de defrontar equipas bastante boas e fortes, o problema é que o futebol feminino no Japão ainda era muito desvalorizado e algumas das equipas não tinham técnicas e tácticas tão avançadas como a nossa e não contavam com jogadoras tão experientes como as do Nankatsu FC. No torneio entre os colégios, a nossa equipa foi uma surpresa para todos, ninguém estava à espera que a equipa feminina do Nankatsu jogasse tão bem.

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Estávamos precisamente a treinar, obedecendo às ordens da nossa capitã, pois o nosso treinador ainda não tinha chegado.
Demos dez voltas ao campo a correr, sem parar, depois decidimos que devíamos treinar os nossos remates e assim o fizemos. A primeira a rematar era a Sanae, no preciso instante em que ela ergueu a sua perna direita para executar o seu remate, uma voz rouca e grave clamou: Meninas!
Ela parou de súbito quase perdendo o seu equilíbrio. Nós ficámos preocupadas, será que se tinha passado alguma coisa com os rapazes? Será que algum se teria lesionado? Será que o Toby estava bem?! – O meu coração começava a encher-se de receio e dúvidas.
O nosso treinador voltou a chamar por nós, ele parecia estar ansioso, a sua respiração era irregular, bastante irregular, pelos vistos devia ter vindo a correr e parecia que poderia explodir a qualquer momento.
Ao observarmos aqueles olhos alarmados e aquela voz entusiasmada corremos de imediato para perto do nosso treinador Hajime Ueki., formando uma espécie de círculo em torno dele.
Ele inspirou e expirou profundamente, fitou todas nós com um olhar sério, opaco e distante, um olhar gélido, para de seguida esboçar um sorriso e dizer com uma onda de felicidade e entusiasmo a transparecer-lhe na voz: meninas, excelentes notícias. Vocês... Vão participar no campeonato feminino de futebol nacional!
Quando os seus lábios pararam de se mover e quando o meu cérebro e o meu corpo estagnaram para absorver aquela mensagem, eu julguei que não tinha assimilado aquelas palavras correctamente. Fiquei completamente petrificada de espanto.
Um sorriso desmesurado começava a aparecer nos nossos rostos, a alegria era contagiante. Finalmente, íamos conseguir mostrar os nossos dotes para o futebol a todo o país!
Era uma das melhores notícias que havia recebido, já não era sem tempo, esta oportunidade que tínhamos agora á nossa frente de elevar o futebol feminino a outro nível, ia ser bestial; naquele momento eu percebi que todas nós sentíamos e pensávamos o mesmo: vencer o campeonato!
Assim poderíamos viajar em conjunto com a equipa masculina, não teríamos de ficar sem as pessoas que amávamos por tempo indeterminado.

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Estava ansiosa para contar as novidades ao Toby, o meu coração aumentava o seu ritmo cardíaco só de pensar na sua reacção, o seu sorriso estampado no rosto, o brilho incandescente do seu cálido olhar.
Estávamos mesmo a terminar o nosso treino, agora jogávamos, havíamos sido divididas em duas partes equilibradas e em campo confrontávamo-nos com diversos obstáculos; o cansaço era um deles. O meu corpo não aguentava muito mais, não conseguia estabilizar a minha respiração nem o ritmo dos meus batimentos cardíacos. O suor escorria pelo meu rosto em abundantes quantidades; este treino foi o treino mais duro que eu já havia tido em toda a minha vida, mas percebia o porquê de tanto esforço, o campeonato que nos esperava ia ser árduo, iriamos precisar de toda a nossa força e garra para vencer.
A minha visão estava um pouco distorcida mas continuei a jogar, até que o nosso treinador disse finalizando o treino: Por hoje acabou, esforçaram-se todas, estão de parabéns! – Um sorriso percorria o seu rosto e o orgulho impregnava a sua voz.
Assim que a mensagem que o nosso treinador proferiu irrompeu nos meus ouvidos, quase involuntariamente, o terreno empoeirado e bastante rígido foi o meu amparo, precisava de descansar e não tinha forças suficientes para me conseguir mover para o balneário, nem eu nem quase ninguém da nossa equipa.
Agora que estava sentada e sem o meu corpo a executar movimentos rápidos e fortes para rematar ou correr, tentava normalizar a minha respiração que estava exaltada.
Fechei os olhos, a escuridão era agradável, naquele momento apenas ouvia e sentia tudo à minha volta. O vento que acariciava a minha pele era meigo e quente, mesmo com o sol refugiado por de trás das montanhas, fora do alcance de todos, o calor que ele exercera durante todo o dia havia ficado contido na atmosfera.
O ar quente que trespassava a minha pele e os meus cabelos, aconchegava-me numa leve e doce brisa, permitindo que eu me refrescasse um pouco.
No meu rosto permanecia um sorriso, uma sensação de dever cumprido enchia o meu coração de alegria, fazendo com que este batesse mais rápido.
Sabia que os treinos que iria ter daqui para a frente iriam ser ainda mais exigentes, não me podia distrair, iria ser duro, mas unidas íamos conseguir vencer o campeonato.
Um sorriso percorria todo o meu ser, enchendo-me de felicidade e energia para continuar a trabalhar com o mesmo empenho e força com que tinha trabalho até agora, esse sorriso também me fornecia a coragem para ultrapassar todas as barreiras que íamos ter de enfrentar daqui para a frente.
A minha respiração já havia voltado ao normal, por isso agora eu inspirava e expirava normalmente apreciando o precioso ar que cobria os meus pulmões, parecia conseguir ouvir o bater do coração de todas nós, pareciam estar sincronizados com o meu ritmo cardíaco, batiam todos ao mesmo tempo… Era este o sentimento de uma equipa unida? Então era bestial, era como se os nossos corações estivessem sintonizados na mesma frequência de rádio… Era indescritível.
Aquele treino não tinha servido apenas para no pôr em forma, mas sem criar uma ligação entre nós que era indispensável para a nossa equipa.
- Rita… levanta-te, estiveste lindamente – os meus olhos permaneciam fechados e eu já havia recuperado as minhas forças, apesar de ainda sentir o suor espalhado por todo o meu corpo, sentia-me bem, satisfeita e feliz comigo mesma.
Reconheci de imediato a voz que pedia que me levantasse, era a nossa capitã, o motor da nossa equipa; uma boa amiga, sabia que podia contar com ela para o resto da minha vida.
Abri lentamente os meus olhos e pude perceber que ela estendia a sua mão, com um sorriso impresso no seu rosto, para me ajudar a levantar. Dei-lhe a minha mão ainda um pouco fraca mas feliz, impulsionei o meu corpo para cima e ela puxou-me também com a força que ainda lhe restava.
Ergui-me com a sua ajuda e quando encontrei de novo a minha posição de equilíbrio ela desviou a sua mão da minha para colocar, logo de seguida, o seu braço sobre os meus ombros, felicitando-me de novo.
De repente vi todas a caminharem na minha direcção com um sorriso nos lábios, mas o que se tinha passado para todas estarem a olhar para mim e a sorrir? O que é que eu tinha feito de tão especial para isto estar a acontecer?
Estava feliz, mas agora um pouco confusa, atónita, espantada, quase perplexa, eu diria chocada, qual seria o motivo de tanta felicitação? A curiosidade e também a expectativa começavam a preencher o meu corpo.
- Wow, foste fantástica, de todas nós foste a que se esforçou mais neste treino – afirmou a Patrícia com um sorriso também a inundar o seu olhar, e todas as outras concordaram acenando afirmativamente com a cabeça, e com os olhos cintilando. Ficava feliz, mas não me havia apercebido de tal coisa, estava tão concentrada nos nossos corações sincronizados, nos nossos passes bem-sucedidos e remates imparáveis que nem reparei que tinha tido o papel principal neste treino… Mesmo assim, éramos uma equipa, e o esforço de um pertencia a todas.
- Obrigada meninas… mas não se esqueçam, somos uma equipa e no fim a recompensa é de todas – Fiz sinal para que se juntassem todas à minha volta, com os braços apoiados nos ombros das colegas do lado, como se estivéssemos a discutir a táctica que usaríamos ou a estratégia que iriamos utilizar num jogo.
Olhei para a Sanae com uma pergunta no olhar, há muito tempo que esperava ter a oportunidade de dizer algo com todas as minhas forças, com toda a minha alma, todo o meu coração; ela respondeu de seguida com um sorriso e acenando afirmativamente com a cabeça, num movimento rápido de impulsivo.
- Ok, meninas… VAMOS VENCER ESTE CAMPEONATO! – Há bastante tempo que queria proferir aquelas palavras com toda a garra e força na minha voz, mas a capitã é que tinha esse dever, e estava a cumpri-lo lindamente, mas desta vez queria ser eu a proferir o nosso grito de guerra.
- SIM! – responderam todas, com um sorriso espelhado nos olhos, que cintilavam de alegria.
Assim que finalizámos o nosso grito de guerra cujo tinha sido iniciado por mim, os meus ouvidos inundaram-se com um som seco, rápido, ritmado e forte, era o som dos aplausos com que éramos brindadas; dos rapazes que estava, nas bancadas em conjunto com o nosso treinador que estava bastante feliz, orgulhoso e motivado como nós.
Estávamos tão absorvidas na nossa ideia de vencer o campeonato que nem sequer nos apercebíamos das coisas que aconteciam à nossa volta.
Pelos vistos os rapazes já tinham finalizado o seu treino e vieram para assistir ao nosso, não pude evitar, um sorriso quase deslumbrante apareceu no meu rosto ao ouvir a sua voz, e ao sentir o sue olhar cintilante pousado em mim. A felicidade de vê-lo a apoiar-me e o sentimento imenso que ainda permanecia no meu corpo depois daquele treino juntavam-se, levando o meu coração ao mais rápido dos batimentos. Estava tão feliz nem sequer tinha palavras para descrever o que sentia.
Já não via a altura de sentir os seus braços fortes a envolverem-me num doce abraço, os seus lábios cálidos a acariciarem os meus, o seu perfume adocicado, o seu olhar meigo e recheado de brilho cristalino e puro…

© All rights reserved to Rita Silva and Patrícia Brito

Créditos: Rita Misaki
Escrito por: Rita Misaki
História Criada por: Rita Misaki e Patrícia Wakabayashi

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Capitulo 4 – Uma Procura Desesperada


 


 

Passou já duas semanas que não nos víamos, eu não parava de pensar nele, é como se estivesse dentro da minha cabeça há muito tempo.

Também com os jogos não nos encontrávamos com o estádio todo cheio. Já tinha uma saudade enorme.

Hoje de manhã fomos treinar os rapazes foram a correr e eu e o treinador a pé. Eu olho a redor e vejo uma equipa a treinar, não dei atenção, mas depois ouvi um nome.

Estavam a chamar o Karl, parei e fiquei a olhar, reparei que era ele.

- Treinador, eu vou pelo outro lado e passo pelo hotel para ir buscar uma coisa.

Treinador: Está bem, vê lá se não te perdes.

- Ok.

Fui a correr para o hotel, fui buscar o casaco e uns óculos de sol, cheguei ao jardim onde eles estavam a treinar no campo e sentei-me, estava lá muitas pessoas por isso disfarcei-me.


 

Herman: Então Schneider, o que se passa? Estás tão distraído.

Karl: Ah desculpa, é que eu estava á procura de uma coisa.

Herman: Do quê?

Karl: Kaltz, deixa de ser cusco.

Herman: Ahaha ok.

Karl: Mas onde será, é que ela está, eu até pedi ao treinador para treinarmos aqui para ver se a encontro. Mas pelos vistos enganei-me.

Treinador: Acabou o treino por agora, até logo á tarde.

Todos: Certo.

Karl: Aquela menina de olhos verdes claros e cabelo comprido, encaracolado com um tom dourado, onde é que ela estará.


 

Eu nem sei como é que ele não reparou em mim, eu ali estava mesmo frente dele.

Então decidi levantar-me e ir ter com ele, mas por o outro lado. Ia andar um bocadinho distraída.

Parei em frente da estrada das escadas onde ele estava a subir, ele reparou em mim desta vez, parou e ficou a sorrir, eu também fiz o mesmo.

Leonor: Olá.

Karl: Olá.

Ficamos parados a olhar um para o outro

Herman: Ahah, então era dela que estavas á procura?!

Ninguém tinha respondido.

Karl: Estou mesmo a falar sozinho, mas que romântico isto.

Karl: Vamos embora?

Leonor: Sim, pode ser.

Herman: E deixem-me aqui? Sozinho? Abandonado

Karl: Sim

Leonor: Coitado.

Herman: Vês que alguém que se preocupa comigo! Eu vou com vocês.

Karl: Kaltz!

Herman: Ai vou, vou.

Leonor: Ahahaha

Karl: Não te rias.

Leonor: Ok.

Começamos a andar, e na Alemanha já estava a chegar o Outono, porque este campeonato tinha se atrasado 2 meses, paras as esquipas dos países que entraram (para o campeonato) se escolhessem os melhores, como tínhamos frio, e eu o karl chegamos demasiado perto de um do outro para nos aconchegar, nós ficamos um bocadinho envergonhados, mas tinha passado logo.

Herman: Ai que romântico! Estou aqui mesmo a fazer de vela.

O Karl ouvi-o isto, saio de ao pé de mim, chegou ao pé do Herman kaltz e começam a fazer as "brincadeiras parvas" e caíram os dois no chão. E eu ali a rir-me.

Leonor: Então, vocês não podem parar por um bocado?

Karl e Herman: Ai desculpa. Não nos ligues, é que nós somos sempre assim nestas brincadeiras.

Leonor: Humm, está bem.

Sentamo-nos num banco, com tanto frio tivemos que parar.

Leonor: Daqui a algumas semanas vai acabar o campeonato e eu vou ter que me ir embora.

Karl: Será que quando acabar o campeonato ela vai ter que se ir embora? Assim eu não vou jamais a vê-la.

Herman: Vamos embora para França, não é?

Leonor: Sim.

Estava um ambiente calmo e silêncio, só se ouvia nós a respirarmos e o vento a bater nas folhas.

Karl: É esta tarde que partirmos.

Leonor e Herman: Pois.

Leonor: Sabes se vamos partir todos juntos?

Karl e Herman: Não sei.

Leonor: Ok.

Karl, Leonor e Herman: Qu.. Que Fr… Que frio!

Leonor: Acho que é melhor sairmos daqui do banco e começar a andar antes que fiquemos constipados.

Karl: É melhor.

Herman: Sim vamos.

Fomos a andar e eles levaram-me ao hotel e eles os dois foram para casa fazer as malas. Estava a acenar um adeus a eles, que quando choquei contra um rapaz alto e a sair a correr do hotel.

Leonor: Já estou mesmo farta de chocar com toda a gente, parece que sou um alvo que tem que abater.

Benji: Desculpa, não te vi.

Leonor: Pois.

Benji: A sério!

Leonor: Ok.

Oliver: Então Benji? Perdeste-te?

Benji: Não, eu é que me choquei com a menina.

Leonor: Olá Oliver.

Oliver: Olá Leonor.

Benji: Vocês conhecem-se?

Leonor e Oliver: Sim.

Benji: Ok, eu sou o Benji Price. E sou o guarda-redes da equipa do Japão.

Leonor: És? Então não é o Ed? Eu sou a Leonor, não jogo em nenhuma equipa mas sou irmã gémea do David. A equipa de Portugal também está cá neste mesmo hotel, por isso é que eu e o Oliver nos conhecemos.

Oliver: Ela já disse tudo.

Benji: Sim sou, ele também é, mas…

Leonor: Por exemplo, ele é melhor do que tu ou tu és melhor do que ele. Já percebi

Oliver e Benji: Sim, isso.

Leonor: Bem rapazes, eu vou ter com o meu irmão e se calhar vemo-nos no aeroporto ou em França.

Oliver: Adeus Leonor.

Leonor: Adeus.

Benji: Adeus, um prazer em conhecer-te.

Leonor: Igualmente.

Fui buscar o meu irmão e fomos fazer as malas.

Chegamos a França, aconteceu a mesma coisa que foi na Alemanha, paisagens bonitas e nunca tinha visto a Torre Efiel antes.

Simplesmente estou a adorar esta aventura.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Capítulo 26 - A Temerosa Apresentação - Fanficiton "A New Life" ©


O medo e o pânico dos olhares curiosos, desonestos e desconfiados de toda a turma atingiam todos os meus pensamentos e corpo, que estava enregelado, não devido ao frio mas ao bater frenético do meu coração assustado. Não conseguia dizer uma só palavra, tinha petrificado, tentei abstrair-me e concentrar-me no que sabia sobre o sistema cardiorrespiratório…
Tentava lembrar-me das páginas dos livros, dos diapositivos que havíamos preparado, mas algo ou alguma coisa impediam o meu cérebro de funcionar em condições, os meus pensamentos haviam sido bloqueados pelos nervos que atingiam todo o meu corpo.
Um som estridente e repetitivo acordou-me do meu transe, de estado de petrificação em que permanecia; era o toque da campainha, a primeira aula já tinha terminado. Uma espécie de alívio atingiu o meu corpo, ao menos ia poder respirar fundo e esclarecer todas as minhas dúvidas com o Toby antes da temerosa apresentação…
Ainda tínhamos um longo dia de aulas até chegar à última aula, a aula de biologia em que tínhamos de mostrar a todos os nossos colegas aquilo que sabíamos sobre o tema do nosso grupo.
O Toby tentava acalmar-me, fazendo-me carícias no rosto e dizendo no seu tom de voz doce e meigo: vai correr tudo bem, confia em mim – Eu nele confiava era em mim que eu não estava completamente segura – tu sabes tudo sobre o sistema cardiorrespiratório, nós vamos conseguir – dizia ele com um dos seus mais cálidos sorrisos no rosto, Os seus olhos estavam cobertos de brilho, o chocolate destes já se havia derretido de novo, o seu olhar era quente, puro e límpido e era nisso que eu me tentava concentrar, pois só nele é que encontrava a minha paz, a minha alma, o meu coração, a minha calma, a minha segurança… tudo.
Agora o meu coração e os meus lábios concentravam-se apenas no anjo que estava à minha frente, permanecendo com a sua tranquilidade e doçura a envolver tudo ao seu redor…
Estávamos sentados no banco do átrio da escola que era coberto pela sombra de uma sakura caiada de branco, a neve havia pintado tudo com extremo cuidado, pormenor e beleza, o frio não me incomodava, para além de estar a usar roupas quentes e confortáveis tinha também o calor agradável que provinha do doce abraço do Toby.
Aproximei o meu rosto do dele e não hesitei em tocar os seus lábios que ainda permaneciam cálidos, foi um beijo longo, o seu ritmo era lento, enquanto eu redescobria cada lugar, cada recanto da sua boca quente e agradável. A sua língua acolhia a minha numa doce e meiga melodia…

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A hora já tinha chegado, nós já estávamos parados, quase sem respirar em à porta da sala de aula, todos nós esperávamos a professora de Biologia, cuja avaliação era sempre exigente e por vezes (ok quase sempre) influenciável por outros factores, mas também não vou falar sobre isso.
O meu coração estava de novo acelerado, uma barreira transpunha agora a minha garganta, fazendo com que a minha respiração se tornasse irregular e dificultada. Não me conseguia mover de novo, os meus pensamentos bloquearam, mas o toque suave da sua mão na minha foi o remédio certo para que eu saísse daquele estado.
Um som ecoava ao longo do corredor, todos nós ficámos em silêncio ouvindo com atenção o som de alguém a vir na nossa direcção, com uma andar e um ritmo calmo e compassado. Era o som dos sapatos de salto da nossa Professora, uma mulher elegante (na minha opinião, ela usava roupas demasiado justas e curtas…), o seu rosto não tinha nenhuma imperfeição, os seus lábios estavam pintados numa cor vermelho-vivo, uma cor berrante e extremamente apelativa; o seu andar poderia deixar qualquer caidinho de amores, o movimento ondulante dos seus quadris quando ela se movia poderia ser fatal para qualquer um… Mas eu não preocupava, pois sabia que o Toby tinha apenas olhos para mim e nunca iria ceder o seu coração a outro alguém, aliás ele nunca havia demonstrado qualquer tipo de interesse na professora Toshi (nome da Professora).
À medida que se aproximava, a rigidez e a fúria no seu olhar tornavam-se mais visíveis, o que me fez engolir em seco, ao mesmo tempo o meu coração parou por indeterminados segundos enquanto ela me examinava com o seu olhar cortante. Quando o olhar dela se dirigiu ao Toby tornou-se doce e brilhante e ela lançou-lhe um sorriso como se não fizesse ideia de que estava ali presente, a minha fúria e ciúmes desapareceram automaticamente depois do Toby desprezar por completo aquele olhar e aquele sorriso que lhe tinha sido lançado.
Vi a raiva a aumentar no olhar da professora e logo o meu coração respondeu com batimentos frenéticos e temerosos, lá se vai a minha nota a Biologia – pensei eu, aquele olhar tinha sido mortal, eu sufoquei apenas com a minha respiração.
Cada vez mais a adrenalina e o nervosismo me corroíam as minhas veias e impregnava todo o meu corpo.
Assim que entrámos na sala e nos sentámos nos nossos respectivos lugares, a senhora Toshi começou de imediato a fazer a chamada, ficando desde do princípio desconfiada com a inesperada ausência do Benji (eu só disse Benji porque a senhora Toshi só ficou preocupada com a ausência dele, logo a seguir ficou super desconfiada quando viu que a Patrícia também estava a faltar). O Toby e eu justificámos de imediato a falta do Benji e a da minha irmã, a professora pareceu ter achado que era uma justificação plausível e não marcou falta aos dois, mas continuava a fitar-me com o seu olhar mortífero, por cima da armação dos seus óculos.
- Muito bem, vamos começar com a apresentação dos trabalhos então… - ela executou uma pausa na frase olhando em redor, vasculhando tudo e todos com os seus olhos de lince semicerrados para depois dizer a conclusão a que havia chegado: Rita Silva e Toby Misaki, o vosso grupo primeiro.
Ela agitou o seu apontador dando ordem para nos levantarmos. Eu reagi quase instintivamente, pondo-me de pé assim que ela executou aquele movimento rápido e severo.
O Toby olhou para mim, no seu olhar estava um pouco de preocupação, um sorriso único e um brilho incandescente, eu sabia que ele conseguia perceber o que se passava comigo, sabia que ele conseguia sentir o bater frenético do meu coração. Ele sabia o quão nervosa eu estava, foi por isso que me lançou um dos seus mais belos sorriso, angelicais e doces… Tenho de admitir que fiquei mais calma.
Dirigimo-nos os dois para a frente dos nossos colegas.
A sala permanecia mergulhada numa penumbra intensa e um silêncio expectante e ensurdecedor que cobria os meus ouvidos, os meus olhos apenas vislumbravam os olhares curiosos e mortíferos de toda a turma.
O meu cérebro e o meu coração absorviam todos aqueles olhares cheios de espectativa, fazendo com que eu ficasse ainda mais nervosa do que estava. E se me enganasse? Trocasse alguma palavra ou letra? Todos se iriam rir da minha figura…
A luz do retroprojector que estava ligado ao computador embatia com certa intensidade no quadro branco que aguardava com bastante serenidade o nosso trabalho. Aquela luz difusa espalhava-se um pouco por toda a sala, deixando-a num certo tipo de beleza aconchegante.
A cada segundo que passava o meu coração aumentava o seu ritmo, a minha própria respiração sufocava-me, eu não conseguia controlar os meus movimentos, continuava a andar quase como se não tivesse destino. Os batimentos do meu coração abalavam todo o meu corpo, ecoando também na minha cabeça, profundamente; sentia o sangue a passar abruptamente nas veias, sem cessar. Nas minhas costas recaía o olhar cortante da professora, que nos fitava tentando decifrar algum segredo escondido, aquela sensação era horrível e extremamente esgotante… Mas eu não poderia ser tão egoísta ao ponto de abandonar o Toby naquele momento, tinha de ser forte e enfrentar toda a turma e a professora de cabeça erguida.
Estava plenamente consciente do que sabia tudo o que tinha de explicar aos meus colegas sobre o sistema cardiorrespiratório para ter uma boa nota na apresentação.
No meu cérebro tudo se começava a aglomerar em temas, subtemas, explicações e conclusões, tudo, sim eu estava pronta, mas os meus nervos impediam os meus lábios de se moverem e as minhas cordas vocais não produziam nenhum som, agora começava a preocupar-me.
Encarava-mos os nossos colegas com firmeza e com algum receio (da minha parte), o Toby continuava com um sorriso impresso no seu rosto de contornos delicados e perfeitos.
Sim, chegava o momento, a capa do nosso trabalho já havia aparecido no quadro que servia de ecrã gigante para que todos pudessem ver com clareza. O Toby começou por dizer os nossos nomes, o título do trabalho e de seguida fez uma breve introdução daquilo que ia-mos mostrar e explicar.
Ao todo o trabalho possui-a 15 diapositivos, eu e o Toby havia-mos decidido que iria-mos apresentar aquilo onde nós sentia-mos mais confortáveis ao explicar, por isso eu ia ficar com a “constituição do sangue, as funções dos componentes sanguíneos, a grande e a pequena circulação”; de qualquer forma tanto eu como ele possuía-mos a capacidade de nos conseguirmos de complementar um ao outro.
Tinha chegado a altura dos meus lábios e das minhas cordas vocais colaborarem comigo, mas isso não aconteceu em vez disso eu apenas tentava proferir as palavras que me apareciam na mente. A minha respiração ainda não estava normalizada e eu proferi as frases gaguejando, hesitando e por vezes trocando as letras; a minha voz estava trémula, sentia todo o meu corpo a estremecer.
Consegui denotar um sorriso perverso o rosto da professora, ficava feliz por eu estar a arruinar todo o trabalho. Com isso uma parte do meu medo abandonou-me e esse espaço foi ocupado por uma força súbita que me impulsionava a falar com confiança e destreza, sem impedimentos, eu dizia tudo e explicava até ínfimo pormenor aquilo que sabia e que queria partilhar com os meus colegas.
Não sei como o fiz nem como o havia conseguido, mas agora os meus pensamentos e palavras estavam completamente sincronizados e o meu discurso evoluía cada vez mais. Se calhar a vontade de mostrar o que sabia, a vontade de lutar pelo aquilo que me pertencia, lutar por aquele que possuía o meu coração, me tenham feito ganhar coragem e uma força imensa.
Ambos explicavam tudo o que nos era possível, sempre com bastante organização, poder verbal e sempre com um sorriso no rosto…
Estava-mos prestes a terminar eu conseguia denotar no olhar de todos os nossos restantes colegas a permanência do entusiasmo e da alegria de terem descoberto e apreendido novos conhecimentos… Foi fantástico.
No grande final fomos saudados com uma enorme salva de palmas, os sorrisos estavam estampados nos rostos dos nossos colegas; eu também sorria e recebia com todo o meu coração aqueles cálidos aplausos que me aconchegavam a alma e faziam com que um sorriso imenso se espelhasse no meu rosto.

Créditos: Rita Misaki
Escrito por: Rita Misaki
História Criada por: Rita Misaki e Patrícia Wakabayashi 

© Copyrights reservated to Ana Silva and Patrícia Brito

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Capítulo 3 – O Encontro


 

A vista era linda e eu não queria esperar, fui a correr para o elevador e sai. Primeiro fui comprar um mapa e depois fui finalmente dar um passeio. Está anoitecer e eu estou com frio, eram aquelas noites frias, creio eu e eu estou de calções e blusa de alças.

O meu mapa vou-o com o vento, então eu parei numa ponte de um jardim que por baixo estava um rio lindíssimo.

Vejo ao fundo uma coisa a correr para mim, era tão pequena que não a conseguia ver. Parou ao pé de mim uma cadela linda, não sei como é que ela se ligou bem logo comigo.

- Ah, estás ai!

Leonor: Ham?! É tua? Desculpa não sabia, é que ela foi a correr a ter comigo. (Peguei na cadela. O rapaz que estava á procura dela era Loiro e de olhos azuis, simplesmente era lindo!)

- Sim é, não faz mal. Aliás ela não costuma fazer isso às outras pessoas.

Leonor: Ah, ok. Toma a cadela. (Nesse momento tocamos na mão de um do outro e eu estava gelada. E que nessa altura tinha caído um grande nevoeiro.)

- Ok. Está gelada. Pois tu assim deves ter frio, claro.

Leonor: Ah pois. Nem reparei.

- Veste o meu casaco é quente.

Leonor: É melhor não, depois ficas tu sem ele.

- Deixa estar. Eu tive a correr por isso, estou bem quente.

Leonor: Sendo assim, está bem.

Vesti o casaco. Era verdade, o casaco era bem quente.

- Como é que te chamas?

Leonor: Eu chamo-me Leonor. Vim de Portugal com o meu irmão, por causa do campeonato.

- Ele também vai participar? Eu chamo-me Karl Heinz Schneider.

Leonor: Sim vai. Chama-se David e somos gémeos.

Karl: Eu também e sou da Equipa Alemã. Que engraçado! Onde é que estás instalada neste momento?

Leonor: Num hotel, a equipa do Japão também está lá.

Karl: Ok. Eu levo-te lá.

Leonor: Não é preciso.

Karl: Creio que estás perdida, por isso acho que é melhor aceitares.

Leonor: Pois. Está bem.

Ele levou-me até ao hotel, mas deixou-me mais atrás como eu já sabia o resto caminho, fui sozinha.

Karl: Deixo-te aqui. Pode ser?

Leonor: Sim.

Ele já tinha começado a andar e eu gritei:

- Olha, não esqueces-te do casaco?

Karl: Não, um dia quando nos encontrar, dás-me.

- Ok.

Fui para hotel, subi para o meu andar onde estava toda a gente estava a minha procura, mas eu já tinha chegado. É melhor guardar o casaco antes que eles comecem a fazer perguntas.

David: Leonor, onde é que estiveste? Tivemos á tua procura.

Leonor: Desculpa, eu fui dar um passeio e de sem querer perdi-me, mas afinal eu estava perto. Mas de desculpa mais
esfarrapada.

David: Ok. Olha vamos jantar, vens?

Leonor: Sim só vou ao quarto.

Peguei no casaco e entrei no quarto e pendurei com cuidado. Fui comer. Sentei-me ao lado de uns gémeos, quer dizer, estava no meio deles os dois. Eles são muito engraçados e eles também tinham percebido que eu e o David somos gémeos.

Soubemos que o Julian sofre de coração como nós, mas é uma doença diferente.

Fomos todos dormir. Eu acordei tarde e os rapazes já estavam lá fora a treinar, depois ter feito tudo (vestir, tomar banho, …), ia ter com o treinador, mas choquei contra o Oliver.

Leonor: Bom dia.

Oliver: Olá. A tua equipa já está a treinar.

Leonor: Sim eu sei. Eu ia agora ter com eles.

Oliver: Então espera, vou contigo, deixa-me ir buscar uma coisa ao quarto.

Leonor: Ok.

Fiquei á espera. Ele voltou e fomos ter com eles. Hoje é o dia da Inauguração Campeonato Juvenil. Então fomos todos juntos para o estádio

Estavam ali 42 equipas, era muitas e as bancadas estavam cheias.

O primeiro jogo foi entre o Japão e a Itália, o Japão ganhou 2 – 1. O segundo jogo foi Portugal contra Grécia que ganhamos a 3 -0.

34 Equipas saíram do campeonato porque perderam.

E só restaram 8 equipas, o Japão, a Inglaterra, a Holanda, a Argentina, a Alemanha, a França, Portugal e o Brasil ficaram nas finais.

E essas equipas vão ter que viajar até França para acabar com o campeonato.