Lembram-se daquele final em aberto da série Road to 2002? O nosso Roberto, como selecionador da equipa do brasil, o plantel nipónico, com as suas estrelas, Tsubasa, com a braçadeira de capitão, Misaki, Wakabayashi, Kojiro, Matsuyama, Misugi e tantos outros.
Do outro lado, o onze brasileiro, contando com a presença de Rivaul e de Santana, os famosos azes sul americanos, colegas e rivais do nosso estimado Ozora.
O relvado de um estádio no japão que sediou o campeonato juntamente com a Coreia do Sul no ano de 2002? O pontapé de saída e a vontade de vencer de um elenco de protagonistas do seu próprio percurso internacional nas diversas ligas europeias e afins? O entusiasmo patente no público e em ambas as equipas!
Pois é! O episódio 53 da série teve lugar, esta segunda feira, no dia 29 de junho, o confronto decisivo Brasil x Japão num mundial de futebol finalmente passou das páginas de banda desenhada à realidade.
O criador da história do camisola número 10 mais prestigiado do japão, Yoichi Takahashi até se pronunciou sobre o nível dos jogadores japoneses, expressou um grande apreço e o desejo de ver concretizado o seu sonho.
Sabiam que quando o mangá de Captain Tsubasa foi lançado, este foi criado com o objetivo de incentivar a prática do desporto rei? O futebol não tinha muita expressão no fim dos anos 80 naquele cantinho geográfico oriental; sendo o japão, uma nação mais chegada ao basebol, naquela altura. Mas uma história em vinhetas conseguiu alavancar gerações e hoje em dia, volvidos muitos anos, a equipa japonesa combate de igual para igual com as seleções de países como a Holanda e o próprio Brasil, tendo já vencido a "Canarinha" em disputas amigáveis. E portanto, muitos foram os adeptos que se uniram para apoiar os SAMURAI BLUE.
Nesta fase do mundial, temos assistido a plenos combates em campo, pois a ronda de eliminatórias dos 16avos é uma das mais acirradas e exigentes. Se forem como eu, provavelmente gritaram e pularam quando o Sano, o camisola 24, (deixo aqui uma homenagem sucinta ao príncipe do relvado, Jun Misugi, num parêntesis necessário); que com o seu remate rasteiro enfiou a bola no canto da baliza do Allison. Ecoava pela sala: Ganbarose! Iké! Samurai Blue Fighto! (tenho um conhecimento muito reduzido do idioma, portanto, utilizo as pequenas e curtas interjeições a que fiquei habituada ao acompanhar as várias séries desta saga). Inaugurar o marcador depois da pausa de hidratação foi sem dúvida importante. Mantiveram o resultado de uma bola a zero durante toda a primeira parte, conservando a vantagem por bastante tempo, contra tudo o que era opinião dos comentadores da partida. Digno de um guião de um episódio de Oliver e Benji, até parece que estou a ouvir o relator a frisar isso mesmo!
Mais foram os momentos em que a ficção colidiu com a realidade, a dada altura houve um defesa que operou, com coragem audaz, num lance de perigo, defendendo com a própria cara, dispondo-se entre a bola e a baliza; eu diria que foi uma bela homenagem ao nosso sempre oportuno e atento Ishizaki!
Como em todos os guiões, bem redigidos era de se esperar a reviravolta; deu-se na segunda parte. Casemiro igualou o marcador; eu no entanto, tirei o chapéu ao Santana e ao Rivaul, parabenizando a sua perseverança. Já se antevia o prolongamento com a exaustão habitual, eis que, no minuto 90 + 6, sim, a compensação já ia longa, o brasil abriu caminho pela defesa japonesa que até então havia resistido valentemente; um deslize da linha defensiva, e o grande guarda-redes Suzuki, vulgo, Wakabayashi, não teve hipótese contra o remate que pôs fim ao sonho de progredir no mundial para a fase seguinte, os oitavos de final.
Acho que todos nós, chorámos um pouco com os jogadores japoneses, e como em todos os episódios ou capítulos de Captain Tsubasa, os protagonistas deste duelo também mostraram o seu grande desportivismo, tivemos diversos jogadores brasileiros a consolarem os seus adversários; a equipa japonesa a fazer reverência aos adeptos que estavam presentes no estádio; o discurso do mister Moriyasu que tão importante se mostrou, sincero e desconcertante, pejado de palavras reconfortantes. Mais uma vez, um guião muito bem escrito, os argumentistas da série, estiveram em pleno.
Apesar do desconsolo, posso afirmar que também eu, pude voltar a sonhar, juntamente com o nosso prodígio; partilho o zodíaco com a personagem, naturalmente sinto uma grande proximidade com a mesma. Para quem não consegue conter a curiosidade, obviamente que o resultado do jogo que ficou em aperto no episódio 52 (final) da série Road to 2002 não era desconhecido; ficam a saber que a adaptação live action (o jogo dos 16avos no mundial da FIFA de 2026) não reproduz a história original... pois é, o Japão, capitaneado por Tsubasa, vence o Brasil, o resultado no marcador após o sistema de morte súbita é de 3-2 a favor do Japão; não foi um jogo fácil, mas não acabou em derrota, Tsubasa e a sua equipa saiem invictos do confronto. Quando dizem que a realidade não supera as expetativas, deve ser a isto que se referem? Ha, ha, ha, ha...
Face aos acontecimentos que avivaram fortemente a minha nostalgia aconselho vivamente a visualização da mais recente adaptação para animação da série Captain Tsubasa, está disponível na netflix, conta com duas temporadas, a primeira com 52 e a segunda com 19 (está inacabada, lançada em 2023).
Fiquem com a música de apresentação do novo equipamento japonês, uma autêntica opening!